{"id":848,"date":"2022-04-28T05:00:00","date_gmt":"2022-04-28T05:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalizar.com\/?p=848"},"modified":"2022-06-04T08:43:02","modified_gmt":"2022-06-04T08:43:02","slug":"doomed-yet-happy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalizar.com\/pt\/doomed-yet-happy\/","title":{"rendered":"Condenado mas Feliz: <br>O que \u00e9 que dispara o Cora\u00e7\u00e3o Portugu\u00eas?"},"content":{"rendered":"<p>Bem-vindo de volta! Bem-vindo de volta!<\/p>\n\n\n\n<p>Suponha que uma pessoa se aproximou de si com um microfone e um operador de c\u00e2mara a reboque. Ent\u00e3o ela perguntou: \"numa \u00fanica palavra, diga-me quem \u00e9; que \u00fanica palavra o descreve exactamente, a um tee\"? A maioria de n\u00f3s, se n\u00e3o todos n\u00f3s, seria dif\u00edcil de responder. E entre aqueles que poderiam responder, provavelmente n\u00e3o haveria duas respostas iguais. Isto \u00e9, a menos que seja portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quintessencialmente portugu\u00eas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Quase todos, se n\u00e3o todos, os portugueses ofereceriam imediatamente, sem muita hesita\u00e7\u00e3o, <em>saudade<\/em>. Logo a seguir a esta resposta, mais explica\u00e7\u00f5es se seguiriam. \u201c<em>Saudade<\/em> n\u00e3o \u00e9 algo que se possa compreender se n\u00e3o se for portugu\u00eas\".<\/p>\n\n\n\n<p><em>Saudade<\/em> \u00e9 a identidade nacional portuguesa; as pessoas reclamam-na com orgulho e devo\u00e7\u00e3o feroz. <em>Saudade<\/em> \u00e9 como a sua l\u00edngua que eles acreditam ser demasiado nettlesome e demasiado dif\u00edcil de falar para outras pessoas. Para os portugueses, <em>saudade<\/em> \u00e9 o seu cora\u00e7\u00e3o e a sua alma, portanto, como poderia algu\u00e9m compreend\u00ea-lo, na realidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Concordo com os meus amigos aqui em Portugal que <em>saudade<\/em> \u00e9 o que os define. Al\u00e9m disso, os sentimentos e as emo\u00e7\u00f5es ligadas a <em>saudade<\/em> n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de desembara\u00e7ar nem de expressar, pelo menos em palavras. No entanto, separo-me dos meus amigos portugueses, que de alguma forma ambos <em>saudade<\/em> e eles s\u00e3o alheios ao resto de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Saudade<\/em>, longe de tornar os portugueses diferentes, penso que os torna mais reconhec\u00edveis. <em>Saudade<\/em> pode ser apenas a raz\u00e3o pela qual todos gostam de visitar Portugal; porque nos sentimos seguros e em casa quando chegamos para a nossa primeira visita e depois cada vez que regressamos. Talvez encontremos no povo portugu\u00eas, na sua cultura e na sua l\u00edngua algo que nos \u00e9 familiar e perdido. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 Saudade?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><em>Saudade<\/em> \u00e9 o inescrut\u00e1vel \"algo\" que todos sentimos e que todos reconhecemos; \u00e9 comum a todos os seres vivos. A hist\u00f3ria e a geografia portuguesas talvez tenham for\u00e7ado os portugueses a mant\u00ea-lo mais pr\u00f3ximo e apertado do que o resto de n\u00f3s. No entanto, <em>saudade<\/em> reside nas profundezas de todos n\u00f3s, em tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque <em>saudade<\/em> \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de p\u00f4r em palavras, que eu gostaria de partilhar convosco algumas hist\u00f3rias. Duas destas hist\u00f3rias s\u00e3o observa\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas de pessoas e lugares que esbarro consistentemente em Santa Luzia; a terceira \u00e9 pessoal. A primeira hist\u00f3ria \u00e9 sobre o povo portugu\u00eas e a segunda \u00e9 sobre Portugal, o lugar. A terceira \u00e9 sobre a minha trisav\u00f3. Por favor, tenham paci\u00eancia comigo, se quiserem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre o passado e o futuro: Os Calm Diggers<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Santa Luzia \u00e9 uma pequena aldeia com cerca de 1.600 habitantes. A maioria dos residentes s\u00e3o portugueses e muitos s\u00e3o mais velhos; contudo, uma minoria consider\u00e1vel \u00e9 como eu, expatriados, tanto sazonais como anuais, embora a maioria pare\u00e7a ser sazonal. H\u00e1 um punhado, cerca de cinco, dos residentes portugueses, que eu vejo e encontro regularmente; eles s\u00e3o os principais na minha primeira hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os poucos s\u00e3o todos homens. Cada um est\u00e1 na casa dos quarenta, mas s\u00f3 estou a adivinhar pelas suas apar\u00eancias. S\u00e3o todos em forma, isto \u00e9, finos e esticados; cada um deles \u00e9 bastante bonito naquela forma de cinema ocidental americano dos anos 60, desgastado.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu s\u00f3 disse <em>diabinho bom<\/em> ou <em>jib\u00f3ia<\/em> a eles quando tivermos passado na rua. Sempre que estivemos perto o suficiente para trocar sauda\u00e7\u00f5es, sempre nos dirigimos em direc\u00e7\u00f5es opostas. A maior parte, por\u00e9m, tenho-os visto \u00e0 dist\u00e2ncia. Depois est\u00e3o a trabalhar nos loda\u00e7ais, cavando para as pequenas am\u00eaijoas na <em>Ria Formosa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Saudade-1.jpg?w=950&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-874\"\/><figcaption>\"Saudade\", 2021<br>Um dos cinco, no in\u00edcio da Primavera, na magia do amanhecer.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ritmos de mar\u00e9 e tempo<\/h2>\n\n\n\n<p>Eles e o seu trabalho seguem os ritmos do <em>ria<\/em> e as suas mar\u00e9s. A mar\u00e9 baixa \u00e9 quando podem trabalhar, pelo que os vi sair pouco antes do amanhecer, de manh\u00e3 cedo, a meio da tarde e no in\u00edcio da noite. Cada vez que a mar\u00e9 baixou com a lua. Na luz fria do Inverno e no sol escaldante do Ver\u00e3o est\u00e3o a trabalhar as poucas horas dispon\u00edveis que podem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os vi de perto, eles passaram-me na bicicleta. Levam sacos pequenos e pesados que rebentam com as am\u00eaijoas min\u00fasculas. Est\u00e3o a caminho de Tavira para vender as suas capturas a um dos restaurantes que abastecem mais os habitantes locais do que os turistas. Eu sei porque j\u00e1 vi um ou outro deles fora de um ou outro desses restaurantes. Jauntily posaram contra uma mesa alta, eles apreciam uma cerveja em esplendor lamacento.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o homens nascidos entre a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em 1974 e o in\u00edcio da Gera\u00e7\u00e3o da UE em 1986. O seu trabalho \u00e9 o tipo de subsist\u00eancia que recorda os anos 50 <em>Salazarismo<\/em>&nbsp; isolacionismo, embora Portugal se incline agora fortemente para a alta tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o verde do s\u00e9culo XXI. Estes homens vivem, essencialmente, entre o passado e o futuro, enquanto parte de nenhum deles.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre a Terra e o Mar&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A minha segunda hist\u00f3ria traz-nos de volta \u00e0s nossas caminhadas di\u00e1rias pelas estradas de terra cravadas atr\u00e1s da nossa aldeia. H\u00e1 um ponto ao longo de uma destas estradas, onde a vista \u00e9 de terra cultivada a rolar em cascata at\u00e9 ao oceano. Isto \u00e9, de facto, uma miragem. Onde se est\u00e1 \u00e9 na crista de uma pequena colina. Engana o olho, obscurecendo a estrada, o rio e a ilha barreira que se encontra antes do mar aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora eu saiba que esta vista \u00e9 um logro, nada me diz tanto sobre Portugal e o seu povo como esta vista atrav\u00e9s da terra directamente para o Atl\u00e2ntico. A ess\u00eancia de Portugal e dos portugueses \u00e9 a soma desta lasca de terra e do vasto oceano para al\u00e9m dela. O pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 uma ilha flutuando em vastid\u00e3o, mas a borda fina e afiada de um continente maci\u00e7o. \u00c9 a fronteira entre a terra e o mar, entre aqui e l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"862\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=950%2C862&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-872\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=1024%2C929&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=300%2C272&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=768%2C697&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=1536%2C1393&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=2048%2C1857&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=13%2C12&amp;ssl=1 13w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?resize=2000%2C1814&amp;ssl=1 2000w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/A-Minha-Lusitania.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><figcaption>\"A Minha Lusit\u00e2nia\", 2020<br>Do local onde a terra e o mar se fundem como um numa miragem.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Fim do Mundo<\/h2>\n\n\n\n<p>Portugal foi em tempos considerado o fim do mundo, pelo menos para os europeus. Geograficamente, n\u00e3o est\u00e1 longe da verdade. <em>Lusit\u00e2nia<\/em> \u00e9 o nome latino para Portugal e era o mais ocidental que um legion\u00e1rio romano podia ser afixado. Sob os mouros, Portugal era um mundo longe dos tribunais opulentos de C\u00f3rdova e de outros lugares em <em>al-Andulus<\/em>. Lisboa est\u00e1 muito longe de Bona, Bruxelas e Haia, mais longe do que todas as outras capitais europeias.  Bem, ou seja, excepto Atenas, que fica apenas a algumas centenas de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. No entanto, outras que poder\u00edamos considerar t\u00e3o distantes, como Kyiv, Sofia e Bucareste, est\u00e3o mais pr\u00f3ximas do centro de poder da Europa do que Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, Portugal sempre enfrentou o Atl\u00e2ntico de costas para o resto da Europa. Tornou-se rico e poderoso - muito mais do que os seus maiores vizinhos de Espanha, Fran\u00e7a e Inglaterra - porque se lan\u00e7ou no Atl\u00e2ntico para chegar ao Brasil, \u00c1frica e \u00c1sia. Separado, fez o seu pr\u00f3prio caminho e a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria ao fugir ao compromisso, ou seja, \u00e0 guerra, com os seus vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado da geografia e da hist\u00f3ria, Portugal \u00e9 um pa\u00eds introvertido, pensativo e auto-reflexivo; e o seu povo tamb\u00e9m. O pa\u00eds e as pessoas parecem, simultaneamente, \u00edntimos e familiares, bem como distantes e difusos. O povo encarna em partes iguais a intimidade de uma terra pequena e confinada e o afastamento do vasto oceano. Parecem-me, como aquela fronteira entre a terra e o mar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Isto \u00e9 Saudade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sou portugu\u00eas e talvez n\u00e3o possa e deva tentar definir <em>saudade<\/em>. No entanto, sinto uma grande afinidade pelo povo portugu\u00eas, apesar do pouco tempo que aqui vivemos. A nossa mudan\u00e7a para Portugal tem-me sentido, em alguns aspectos, como um regresso a casa, pelo menos psiquica e emocionalmente. Possivelmente isto deve-se ao facto de eu reconhecer peda\u00e7os de <em>saudade<\/em> dentro de mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, <em>saudade<\/em> \u00e9 o lugar entre as diferen\u00e7as, seja o passado e o futuro, seja a terra e o mar, ou, seja o \"quem voc\u00ea \u00e9\" e o \"quem voc\u00ea se tornar\u00e1\". <em>Saudade<\/em> \u00e9 o espa\u00e7o habit\u00e1vel entre dois mundos. \u00c9 um limiar ou uma porta onde voltar para tr\u00e1s ou avan\u00e7ar inevitavelmente envolve tanto perda como esperan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Saudade<\/em> \u00e9, tamb\u00e9m, os muitos sentimentos simult\u00e2neos que se experimentam quando se est\u00e1 neste limiar. \u00c9 o anseio e o luto pelo que fica para tr\u00e1s, bem como o anseio e o pavor do que fica para a frente. <em>Saudade<\/em> valoriza tanto o que se deixa para tr\u00e1s como o que se espera encontrar a seguir. Tamb\u00e9m compreende que n\u00e3o se pode agarrar a um enquanto se avan\u00e7a em direc\u00e7\u00e3o ao outro, deve deixar-se ir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saudade e o Ver\u00e3o de 1865<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima hist\u00f3ria traz <em>saudade<\/em> casa para mim. Ajuda-me a compreender <em>saudade<\/em> porque \u00e9 uma hist\u00f3ria pessoal, parte da minha hist\u00f3ria. \u00c9 sobre a minha trisav\u00f3, Margaret Mary, que era conhecida como Maggie, \u00e9 claro. Ela est\u00e1 nas docas de Cobh, no Ver\u00e3o de 1865. Ela tem apenas 19 anos. A sua m\u00e3o esquerda copos firmemente mas suavemente a cabe\u00e7a da sua filha mais nova, tamb\u00e9m Maggie, a minha bisav\u00f3. Em frente dos seus tachos, um grande casco de madeira de um navio, maior do que qualquer coisa que ela j\u00e1 tenha visto antes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"690\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?resize=690%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-875\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?resize=690%2C1024&amp;ssl=1 690w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?resize=202%2C300&amp;ssl=1 202w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?resize=768%2C1140&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?resize=8%2C12&amp;ssl=1 8w, https:\/\/i0.wp.com\/portugalizar.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/little-one%E2%80%A6-all-will-be-well.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><figcaption>\"Lil' one... tudo vai ficar bem\", 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c0s suas costas est\u00e1 o mundo inteiro e \u00fanico que ela alguma vez conheceu, County Cork. Se Maggie se atrevesse a olhar por cima do ombro, veria a neblina matinal e o pedacinho de sol a apanhar as colinas verde-esmeralda. Atr\u00e1s est\u00e1 a sua aldeia, as suas irm\u00e3s e os seus irm\u00e3os, os seus amigos e os seus vizinhos. Atr\u00e1s est\u00e1 tamb\u00e9m o adro da igreja onde in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es de Murphy descansaram com a sua m\u00e3e e o seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Maggie est\u00e1 sobrecarregada de pesar e tristeza por tudo o que est\u00e1 por detr\u00e1s dela. Ela tamb\u00e9m lan\u00e7a com igual excita\u00e7\u00e3o e medo enquanto est\u00e1 no cais a ranger \u00e0 espera de embarcar. Maggie nunca mais voltar\u00e1 a Cork, nunca mais voltar\u00e1 a ver as suas irm\u00e3s ou irm\u00e3os. Nunca mais ir\u00e1 percorrer o caminho atrav\u00e9s do prado e do campo at\u00e9 \u00e0s suas ovelhas, como fazia todos os dias antes desta manh\u00e3. <\/p>\n\n\n\n<p>Cinco anos antes, num desses dias, ela viu pela primeira vez Cornelius a remendar uma veda\u00e7\u00e3o no campo. Era ent\u00e3o um rapaz de 15 anos que veio de Youghal para encontrar trabalho em Cobh. Tinha acabado de fazer 14 anos. Agora, com o seu marido, ela vai fazer uma nova vida na Am\u00e9rica. Cornelius encontrar\u00e1 melhor trabalho, a sua filha ir\u00e1 \u00e0 escola, ter\u00e3o uma casa e, talvez, um pequeno jardim. Pelo menos estes s\u00e3o os seus sonhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Olhar no espelho<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9 <em>saudade<\/em>, ou como o entendo. Penso que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o dos portugueses. Eles s\u00e3o um povo no limiar, ou seja, entre um lado e o outro. Eles carregam perda e tristeza por aquilo que deixaram para tr\u00e1s sob um bra\u00e7o. Debaixo do outro bra\u00e7o, eles aconchegam o optimismo e sonham com o que possa ser. A sua personalidade nacional n\u00e3o se abalou uma em favor da outra, como outras nacionalidades parecem ter feito.<\/p>\n\n\n\n<p>O que muitos visitantes de Portugal atribuem ao seu povo - simpatia, abertura, paci\u00eancia, defer\u00eancia, defer\u00eancia, generosidade, um amplo acolhimento de estranhos - \u00e9 atribu\u00edvel a <em>saudade<\/em>. Os portugueses mant\u00eam o \"intermedi\u00e1rio\" em equil\u00edbrio. Ou seja, sentem simultaneamente uma perda l\u00fagubre e um optimismo de olhos arregalados. N\u00e3o parecem lutar com eles pr\u00f3prios para dar a um a vantagem sobre o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <em>saudade<\/em> permite aos portugueses ver a sua pr\u00f3pria face espelhada na face do outro \u00e0 sua frente. Talvez eles sejam apenas um pouco menos capazes de ignorar a semelhan\u00e7a, a familiaridade com o desconhecido do que o resto de n\u00f3s. Porqu\u00ea? Porque eles s\u00e3o para sempre o estranho que deixa para tr\u00e1s, depois chora, e depois sorri com expectativa para o que estava do outro lado do limiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A simpatia e f\u00e1cil abertura do povo portugu\u00eas, penso eu, deriva da sua hist\u00f3ria, da sua geografia e da sua adapta\u00e7\u00e3o cultural a ambos. <em>Saudade<\/em> permite uma capacidade de acolher o estranho, porque os portugueses se sentem estranhos. Permite-lhes fazer com que o h\u00f3spede se sinta \u00e0 vontade e em casa, porque eles pr\u00f3prios se sentem mal \u00e0 vontade com onde se encontram. Compreendem o migrante porque eles pr\u00f3prios reconhecem as suas pr\u00f3prias esperan\u00e7as e sonhos que os afastam do familiar para o desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para al\u00e9m da Saudade<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero entusiasmar-me com a romantiza\u00e7\u00e3o excessiva dos portugueses. Eles n\u00e3o s\u00e3o o mais alto n\u00edvel de \u00e2ngulos, mas apenas humanos. Al\u00e9m disso, enquanto <em>saudade<\/em> \u00e9 a identidade nacional portuguesa que nem todos os portugueses a carregam com o mesmo encanto e bom humor. Alguns portugueses, como o l\u00edder do partido de extrema-direita de Portugal, n\u00e3o s\u00e3o bem-vindos e s\u00e3o infinitamente incapazes de se verem a si pr\u00f3prios face a um imigrante ou a um concidad\u00e3o que as suas opini\u00f5es ou estilo de vida podem ser diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <em>saudade<\/em> traz consigo for\u00e7as e fraquezas. Enumerei as boas qualidades que confere aos portugueses, as quais se sobrep\u00f5em ao resto de n\u00f3s como benefici\u00e1rios. <em>Saudade<\/em> pode tamb\u00e9m fazer com que os portugueses pare\u00e7am reticentes, bem como desnecessariamente auto-depreciadores. Ser\u00e3o eles demasiado hesitantes para agir, para defender ou para liderar? Todas estas s\u00e3o quest\u00f5es que o visitante pode ser deixado a analisar. Tamb\u00e9m se pergunta porque \u00e9 que a economia de um pa\u00eds, que est\u00e1 cheio de gente t\u00e3o boa, inteligente, capaz e trabalhadora, se situa bem atr\u00e1s de qualquer outro pa\u00eds da Zona Euro.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou adiar a atribui\u00e7\u00e3o de culpas aos desafios da economia portuguesa <em>saudade<\/em> ou a sua gente. Espero tamb\u00e9m que a Gera\u00e7\u00e3o da UE, agora no in\u00edcio e em meados dos anos 30, veja os desafios pelo que eles s\u00e3o, oportunidades. Portugal, nos pr\u00f3ximos 30 a 50 anos, tem a capacidade de assumir a lideran\u00e7a econ\u00f3mica com o tipo de inova\u00e7\u00e3o que explodiu para o mundo h\u00e1 500 anos. Por ter perdido a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e o boom do p\u00f3s-guerra, n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o ligado \u00e0s ind\u00fastrias sujas e ao consumismo. Portugal tem a oportunidade de liderar com o verde sem desfazer as trapalhadas do passado. Esperemos que o possa fazer e o fa\u00e7a. Veremos. <em>Vamos ver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7o e at\u00e9 breve! Sa\u00fade e at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima vez.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os portugueses s\u00e3o uma estranha mistura de autodeprecia\u00e7\u00e3o sombria e de felicidade, como-que-que-\u00e9-que-poder\u00e1 ser optimista. \u00c9 esta perspectiva \u00fanica sobre si pr\u00f3prios e sobre o mundo \u00e0 sua volta que torna os portugueses t\u00e3o simp\u00e1ticos. 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